QUANDO A SALA DE AULA ENCONTRA A VIDA PÚBLICA

Evento na Faculdade Guerra marcará apresentação da pré-candidatura da professora Kellen Guerra e convida à reflexão sobre o papel dos educadores na construção das políticas públicas

Nesta quarta-feira, 17 de junho, às 19h, o auditório da Faculdade Guerra receberá convidados, educadores, estudantes e representantes de diferentes segmentos da sociedade para um evento que marca a apresentação da pré-candidatura da professora Kellen Guerra ao cargo de deputada distrital.

Embora o encontro tenha natureza política, sua realização em uma instituição de ensino inevitavelmente remete a uma questão mais ampla e permanente: qual é o papel da educação na construção do futuro de uma sociedade?

A pergunta acompanha a história das democracias modernas e atravessa o pensamento de alguns dos mais importantes filósofos e educadores da humanidade.

Quando Platão escreveu A República, há mais de dois mil anos, já defendia que a formação dos cidadãos era uma das tarefas centrais do Estado. Séculos depois, Jean-Jacques Rousseau sustentaria que a educação deveria preparar indivíduos capazes de exercer a liberdade e a cidadania. No século XX, John Dewey transformaria essa percepção em um dos pilares da democracia contemporânea ao afirmar que a educação não é apenas preparação para a vida; ela é a própria vida social em funcionamento.

No Brasil, poucos pensadores sintetizaram essa visão de forma tão contundente quanto Paulo Freire, para quem a educação constitui um instrumento de emancipação humana e de participação consciente na vida pública.

A história mostra que não são raros os momentos em que educadores decidem ultrapassar os limites das salas de aula e participar diretamente da formulação das políticas que moldam a realidade coletiva.

A razão é simples.

A experiência cotidiana com estudantes permite observar, de forma concreta, os desafios enfrentados por milhares de famílias. São histórias de mobilidade social, dificuldades econômicas, superação pessoal e busca por oportunidades. São experiências que dificilmente aparecem apenas nos relatórios estatísticos, mas que se tornam visíveis para quem vive o ambiente educacional todos os dias.

É justamente nesse ponto que a trajetória da professora Kellen Guerra encontra seu significado mais amplo.

Ao longo dos últimos anos, sua atuação esteve ligada à construção e consolidação de um projeto educacional voltado especialmente para estudantes de Taguatinga, Ceilândia e demais regiões do Distrito Federal. Nesse percurso, a Faculdade Guerra testemunhou histórias de alunos que encontraram no ensino superior a oportunidade de alterar profundamente suas trajetórias pessoais e profissionais.

Muitos foram os casos de estudantes que chegaram à instituição carregando limitações econômicas, inseguranças ou barreiras sociais e que, por meio do acesso ao conhecimento, conquistaram novas perspectivas de vida.

Essas experiências reforçam uma percepção compartilhada por especialistas em desenvolvimento humano: a educação permanece sendo um dos instrumentos mais eficazes de redução das desigualdades e ampliação das oportunidades sociais.

O economista Amartya Sen, vencedor do Prêmio Nobel, argumenta que o desenvolvimento de uma sociedade não pode ser medido apenas por indicadores econômicos. Para ele, o verdadeiro progresso está na ampliação das capacidades humanas, permitindo que as pessoas façam escolhas mais livres sobre suas próprias vidas.

Sob essa perspectiva, a educação deixa de ser apenas um serviço público e passa a representar uma estratégia de desenvolvimento social.

Talvez por isso o debate sobre educação tenha ultrapassado, há muito tempo, os limites das escolas, universidades e centros de pesquisa. Questões relacionadas ao acesso ao ensino, à qualificação profissional, à inclusão social e à formação cidadã dependem, em grande medida, das decisões tomadas nos espaços de formulação de políticas públicas.

É nesse contexto que o evento desta quarta-feira adquire relevância.

Mais do que o anúncio de uma pré-candidatura, ele simboliza a entrada de uma trajetória construída na educação em um ambiente mais amplo de discussão sobre o futuro do Distrito Federal.

Independentemente das diferentes posições políticas existentes em uma sociedade democrática, permanece uma constatação difícil de contestar: toda transformação social duradoura passa, inevitavelmente, pela educação.

Nelson Mandela costumava dizer que “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. A frase tornou-se célebre porque sintetiza uma convicção compartilhada por diferentes correntes de pensamento ao longo da história: sociedades mudam quando ampliam oportunidades de conhecimento.

É justamente essa relação entre educação, cidadania e participação pública que estará no centro das reflexões provocadas pelo encontro desta quarta-feira na Faculdade Guerra.

Em um tempo marcado por rápidas transformações sociais, tecnológicas e econômicas, o debate sobre o papel dos educadores na construção das políticas públicas talvez seja mais atual do que nunca.

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CONRADO VITALI

Assessoria de Imprensa

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