Acima , o psicólogo russo Lev Vygotsky e a sala de aula: para ele, o estudante, ao trabalhar em grupo, o aprende a compartilhar responsabilidades, respeitar diferentes opiniões e construir saberes coletivos
Num tempo em que a formação profissional se vê desafiada por um mercado cada vez mais dinâmico e exigente, a universidade precisa ir além da mera transmissão de conteúdos. A preparação de um bom profissional — em qualquer área — exige uma pedagogia ativa, que estimule o pensamento crítico, a autonomia intelectual e a capacidade de comunicação. É nesse contexto que os seminários acadêmicos ganham destaque como uma prática essencial para o aprimoramento do aprendizado universitário.
Mais do que uma apresentação oral, o seminário é uma experiência completa de pesquisa, organização de ideias, cooperação e expressão pública. Ele instiga o estudante a assumir o papel de protagonista na construção do saber, promovendo o diálogo entre teoria e prática — algo que o educador Paulo Freire defendia com veemência:
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.”
(Freire, Pedagogia do Oprimido, 1968)
Ao preparar e conduzir um seminário, o estudante sai da zona passiva de recepção de conteúdos e entra na esfera ativa do saber construído. Isso gera um envolvimento intelectual mais profundo, uma vez que ele precisa pesquisar, compreender, interpretar e transmitir, exercitando habilidades fundamentais para a vida profissional: clareza na comunicação, domínio do tema, capacidade de síntese e argumentação.

John Dewey, um dos pais da educação moderna, afirmava que:
“A educação não é preparação para a vida; a educação é a própria vida.”
Para Dewey, o aprendizado acontece de forma mais significativa quando o aluno experimenta, participa e reflete, em vez de apenas escutar. Os seminários oferecem esse espaço de experiência formativa, onde a prática do pensar e do falar em público se conecta com os conteúdos aprendidos em sala.
Além disso, ao trabalhar em grupo, o estudante aprende a compartilhar responsabilidades, respeitar diferentes opiniões e construir saberes coletivos, algo defendido por Lev Vygotsky, psicólogo russo que trouxe grande contribuição à pedagogia contemporânea

Vygotsky: “Aquilo que a criança pode fazer em cooperação hoje, ela será capaz de fazer sozinha amanhã.”
(A Formação Social da Mente, 1934)
Trocando “criança” por “aluno universitário”, o princípio permanece atual: o saber compartilhado fortalece o saber individual.
Portanto, faculdades e universidades comprometidas com uma educação abrangente e inspiradora devem adotar os seminários como prática pedagógica constante, não como mero rito de passagem ou atividade de nota. Eles são ferramentas de formação integral, preparando os alunos não só para suas profissões, mas para os desafios complexos da sociedade contemporânea.
Investir em seminários é, em última instância, formar pensadores, não repetidores; construtores, não apenas executores. É uma escolha pedagógica que honra o espírito universitário em sua mais plena essência.






