Duas celebrações, uma mesma origem: a data que homenageia a advocacia brasileira também celebra aqueles que encontram no conhecimento o primeiro passo para transformar seus sonhos em profissão
Há datas que parecem ter sido feitas para celebrar mais de uma história. No Brasil, 11 de agosto é uma delas. Conhecido tradicionalmente como o Dia do Advogado, o dia também é dedicado ao Dia do Estudante — duas celebrações que, embora tenham significados próprios, compartilham uma mesma raiz histórica: o nascimento do ensino jurídico no Brasil.
Foi em 11 de agosto de 1827, durante o Primeiro Reinado, que o imperador Dom Pedro I sancionou a lei que criou os dois primeiros cursos de Ciências Jurídicas e Sociais do país: um em São Paulo, no espaço que daria origem à tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, e outro em Olinda, posteriormente transferido para Recife. A própria legislação imperial estabelecia que os cursos teriam cinco anos de duração e formariam os bacharéis destinados às carreiras jurídicas e a diversas funções públicas.
A coincidência histórica é particularmente simbólica. Ao criar os primeiros cursos jurídicos, o Brasil não estava apenas formando futuros advogados, magistrados e juristas. Estava criando uma nova geração de estudantes universitários brasileiros, inaugurando um capítulo decisivo na história da educação superior do país.
Uma data, duas homenagens
A associação entre 11 de agosto e o universo estudantil ganhou força um século depois. Em 1927, durante as celebrações do centenário da criação dos cursos jurídicos, a data passou a ser associada também à celebração dos estudantes. A Biblioteca Nacional registra que, naquele contexto, 11 de agosto foi instituído como Dia do Advogado e do Estudante.
Nascia, assim, uma espécie de irmandade histórica entre duas figuras inseparáveis do universo acadêmico e jurídico: o estudante e o profissional do Direito.
Um representa o começo da caminhada. O outro, a maturidade de uma trajetória construída pelo conhecimento.
Um está diante dos livros, das aulas, das provas, dos primeiros casos simulados e das dúvidas que fazem parte de toda formação. O outro carrega a responsabilidade de transformar esse conhecimento em instrumento de defesa da cidadania, da liberdade, da Justiça e do Estado Democrático de Direito.
Antes do advogado, existe o estudante
A história do Direito brasileiro ajuda a compreender por que as duas celebrações estão tão profundamente ligadas.
A advocacia não começa no momento em que o bacharel recebe sua inscrição profissional. Ela começa muito antes — na sala de aula, na leitura de uma lei pela primeira vez, na descoberta de um precedente, na discussão de um caso, na inquietação diante de uma injustiça e na construção gradual do pensamento crítico.
É por isso que celebrar o Dia do Estudante em uma instituição de ensino jurídico possui um significado especial.
Na Faculdade Guerra, o estudante de Direito não é visto apenas como alguém que se prepara para uma profissão. É, sobretudo, alguém que está sendo preparado para compreender a sociedade, interpretar seus conflitos e participar da construção de soluções jurídicas capazes de produzir transformações.
O estudante de hoje é o advogado, o magistrado, o promotor, o defensor público, o delegado, o procurador, o professor, o pesquisador e o gestor público de amanhã.
A herança de 1827 continua viva
Quase dois séculos depois da lei assinada por Dom Pedro I, a relação entre conhecimento e Direito permanece tão atual quanto naquela época.
Os cursos jurídicos de São Paulo e Olinda ajudaram a formar gerações de intelectuais e profissionais que tiveram papel decisivo na construção institucional do Brasil. A partir deles, o ensino jurídico tornou-se um dos grandes caminhos de formação das elites intelectuais e administrativas do país.
Hoje, entretanto, o significado da educação jurídica é ainda mais amplo.
O Direito deixou de ser apenas uma formação destinada às carreiras tradicionais. Ele está presente nas relações econômicas, na tecnologia, na proteção de dados, nas políticas públicas, nos direitos humanos, na segurança pública, nas relações de trabalho, no meio ambiente e em praticamente todas as dimensões da vida contemporânea.
Por isso, formar estudantes de Direito é também formar cidadãos capazes de compreender o seu tempo.
Uma celebração que começa na sala de aula
No calendário, 11 de agosto pode aparecer como duas datas comemorativas diferentes.
Na história, porém, elas caminham juntas.
O Dia do Advogado nasceu da história do ensino jurídico. E o Dia do Estudante nasceu da mesma celebração que, um século antes, havia marcado a criação dos primeiros cursos de Direito do Brasil.
É uma coincidência que carrega uma mensagem poderosa: não existe grande profissional sem um dia em que ele tenha sido apenas estudante.
Neste 11 de agosto, portanto, a Faculdade Guerra celebra os dois lados dessa mesma trajetória.
Celebra aqueles que já transformaram o conhecimento jurídico em profissão e aqueles que ainda estão percorrendo o caminho para chegar lá.
Porque, entre o primeiro livro aberto e a primeira causa defendida, existe uma longa jornada.
E toda jornada jurídica começa com um estudante.
11 de agosto. Dia do Advogado. Dia do Estudante. Uma mesma história de conhecimento, formação e compromisso com o futuro.





