EDITORIAL – QUANDO O TOPO DA INSTITUIÇÃO CONTINUA ESTUDANDO, TODA A BASE SE SENTE AUTORIZADA A SONHAR MAIS ALTO

Acima, imagem de realismo fantástico mostra um judiciário que não é apenas intérprete da lei, mas também um agente estruturante de políticas públicas: tese primorosa de Doutorado da professora Kellen é resultado, antes de mais nada, da própria experiência de vida da agora doutora

Há lideranças que administram. Há lideranças que discursam. E há aquelas que, silenciosamente, ensinam pelo próprio percurso. O verdadeiro “exemplo que vem de cima” não se impõe por palavras, mas se confirma por trajetórias.

A conclusão do Doutorado pela professora Kellen Guerra, Diretora Executiva e Mantenedora da Faculdade Guerra, é mais do que uma conquista acadêmica individual. É um gesto pedagógico. É uma aula viva. Sua tese — “A Importância do Superior Tribunal de Justiça na Construção de Políticas Públicas de Gênero para enfrentar a violência contra as mulheres na cidade de Taguatinga – DF: um estudo de caso na Comunidade Cristã Ministério da Fé” — transcende o rigor científico que lhe é próprio e se insere no campo das urgências sociais.

Ao investigar o papel do Superior Tribunal de Justiça na consolidação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, especialmente no contexto de Taguatinga, a pesquisa ilumina uma dimensão essencial do Direito: sua vocação transformadora. O Judiciário não é apenas intérprete da lei; pode ser agente estruturante de políticas públicas capazes de alterar realidades históricas de exclusão e sofrimento.

A violência contra a mulher permanece como uma das mais persistentes chagas sociais brasileiras. Combatê-la exige mais que repressão penal: requer políticas integradas, articulação institucional e compromisso contínuo com a dignidade humana. Quando uma tese de doutorado se dedica a estudar esse fenômeno a partir de um recorte local — uma comunidade concreta, com rostos e histórias reais — ela reafirma que a produção do conhecimento só cumpre sua função plena quando dialoga com a vida.

Mas há, ainda, outra dimensão igualmente poderosa nessa conquista.

A trajetória da professora Kellen Guerra é marcada por uma origem periférica e por desafios que atravessam tantas mulheres brasileiras: preconceito social, barreiras econômicas, subestimação intelectual. Nada disso, porém, se converteu em limite definitivo. Ao contrário, tornou-se combustível. Graduou-se em Direito, avançou ao Mestrado e, agora, mesmo já consolidada como mantenedora de uma instituição de ensino superior, decidiu continuar. Escolheu novamente o caminho mais exigente: o da pesquisa, o da disciplina, o da escrita rigorosa, o da superação constante.

Sua jornada materializa a intuição de Immanuel Kant, para quem “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. A educação, aqui, não é apenas acúmulo de títulos, mas exercício contínuo de aperfeiçoamento moral e intelectual.

A mantenedora da Faculdade Guerra, professora Kellen Guerra: educação como exercício contínuo de aperfeiçoamento moral e intelectual

Recorda também a advertência de Paulo Freire: “A educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.” Ao transformar a própria história por meio do conhecimento, a diretora executiva da Faculdade Guerra reafirma essa máxima freireana — e oferece aos seus alunos a prova concreta de que o saber emancipa.

Para os estudantes da instituição, o significado é profundo. Não se trata de admirar uma figura distante, inalcançável, encerrada em formalidades protocolares. Trata-se de conviver com um exemplo vivo, cotidiano, acessível. Uma liderança que não se limita a exigir desempenho acadêmico, mas que demonstra, na prática, que o aprendizado é um processo permanente — mesmo para quem já alcançou reconhecimento profissional e estabilidade institucional.

Em tempos marcados pela cultura do imediatismo e pela ilusão de êxitos rápidos, a conclusão de um Doutorado lembra que as conquistas mais sólidas são construídas no longo prazo. Exigem método, renúncia, constância. Como ensinava Aristóteles, “somos o que repetidamente fazemos; a excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito”.

O exemplo que vem de cima, portanto, não é um gesto isolado. É uma pedagogia silenciosa. É o recado inequívoco de que a origem não determina o destino; de que o conhecimento é ferramenta de emancipação; de que o compromisso social deve caminhar ao lado da ascensão individual.

Na Faculdade Guerra, os estudantes não encontram apenas salas de aula. Encontram uma narrativa concreta de superação. Uma mantenedora que poderia acomodar-se ao êxito já conquistado, mas que escolheu seguir estudando. Que poderia restringir-se à gestão administrativa, mas que decidiu mergulhar em um tema sensível, urgente e socialmente transformador.

Quando a liderança acadêmica demonstra que aprender é um processo que não se encerra, toda a comunidade acadêmica se eleva. Professores se sentem convocados ao aprimoramento contínuo. Alunos percebem que seus próprios desafios — financeiros, sociais ou pessoais — não são barreiras intransponíveis.

O “exemplo que vem de cima” é, antes de tudo, um convite.

Um convite à perseverança.
Um convite à responsabilidade social do jurista.
Um convite à compreensão de que o Direito deve servir à vida — especialmente à vida das mulheres que ainda enfrentam violência e invisibilidade.

Mais do que um título, o Doutorado da professora Kellen Guerra torna-se símbolo. Símbolo de que o saber é instrumento de libertação. Símbolo de que a liderança se legitima pelo exemplo. Símbolo de que, quando o topo da instituição continua estudando, toda a base se sente autorizada a sonhar mais alto.

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CONRADO VITALI

Assessoria de Imprensa

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