EDITORIAL – O PAPEL DECISIVO DAS IES PARTICULARES NA DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR

Os dados mais recentes do IBGE não deixam margem para dúvidas: o Brasil viveu, nas últimas duas décadas, uma expansão inédita no acesso ao ensino superior. A população com diploma universitário cresceu de 6,8% em 2000 para 18,4% em 2022. Esse salto revela não apenas uma mudança cultural — a valorização do diploma como ferramenta de ascensão social —, mas também a força de um sistema educacional que, apesar de suas contradições, conseguiu abrir portas para milhões de brasileiros.

Nesse processo, as instituições de ensino superior privadas desempenharam papel decisivo. Elas respondem por mais de 75% das matrículas da graduação e se consolidaram como protagonistas da democratização do acesso. Flexibilidade, diversidade de cursos e rápida capacidade de adaptação às novas tecnologias deram à rede privada o protagonismo que o setor público, limitado em recursos e alcance, não conseguiu assumir sozinho.

O avanço, no entanto, não se restringe às grandes cidades. Se há vinte anos metade dos municípios brasileiros não possuía sequer uma faculdade, hoje menos de 10% permanecem sem essa oferta. Essa interiorização é, em larga medida, fruto da iniciativa privada — e tem impacto profundo na redução das desigualdades regionais. Levar ensino superior a cidades médias e pequenas significa não apenas ampliar oportunidades, mas também fortalecer economias locais e reter talentos que, de outra forma, migrariam para os grandes centros.

Mas a democratização não veio sem desafios. O Censo da Educação Superior de 2023 aponta crescimento de 8,7% nas matrículas entre 2021 e 2022, chegando a 9,5 milhões de estudantes. A pergunta que se impõe é: até que ponto esse crescimento quantitativo se traduz em qualidade formativa? O país precisa encarar a tarefa de garantir que a expansão não se resuma a números, mas produza profissionais críticos, preparados e inovadores.

Programas públicos como o ProUni e o Fies foram e continuam sendo decisivos para esse processo. O primeiro, que já beneficiou mais de 3,5 milhões de estudantes de baixa renda, e o segundo, que possibilitou o ingresso de milhares de jovens sem condições de arcar com as mensalidades, revelam a importância de uma articulação virtuosa entre Estado e iniciativa privada. Ainda assim, a instabilidade das regras e a escassez de vagas mostram que o país ainda precisa construir uma política sólida de financiamento estudantil.

Outro fenômeno que merece reflexão é a consolidação da educação a distância. Em 2022, as matrículas em EaD superaram pela primeira vez as do ensino presencial, alcançando 3,9 milhões de estudantes. A modalidade democratiza, mas também suscita questionamentos: até que ponto a expansão acelerada vem acompanhada de rigor pedagógico e inovação real? Reconhecer o potencial transformador do EaD não significa ignorar os riscos de uma formação superficial, orientada apenas pela lógica do mercado.

O balanço é claro: sem a rede privada, a democratização do ensino superior seria impensável no Brasil. Mas a expansão quantitativa precisa vir acompanhada de compromissos inegociáveis com qualidade, equidade e impacto social. Caso contrário, corremos o risco de trocar o acesso pela ilusão de acesso, oferecendo diplomas que pouco transformam vidas.

O desafio, portanto, não é apenas multiplicar vagas, mas garantir que cada vaga corresponda a uma educação capaz de formar cidadãos plenos, profissionais competentes e mentes preparadas para os desafios de um país que ainda sonha com desenvolvimento inclusivo.

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CONRADO VITALI

Assessoria de Imprensa

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